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O Brasil sobe ao 8º lugar da música mundial: streaming e funk impulsionam o crescimento em 2026

culture2026-08-30 · 2 min read · 0 reads

O Brasil cresceu 14,1 por cento e tornou-se o oitavo maior mercado de música gravada do mundo em 2026, impulsionado pelo streaming e pela expansão internacional do funk. Uma análise serena dos números.

Como alguém que acompanha o mundo da música há anos, aprendi a olhar para além dos sucessos do momento e a procurar as tendências que realmente se sustentam. O que aconteceu com a música brasileira em 2026 é justamente uma dessas viradas de fundo. Não se trata de um único artista ou hit, mas da ascensão consistente de todo um mercado no cenário global.

Oitavo maior mercado do mundo

Comecemos pelos números. Segundo o relatório global da IFPI, o Brasil cresceu 14,1 por cento e subiu para a oitava posição no ranking mundial da música gravada. É um ritmo mais do que o dobro da média global, que ficou em 6,4 por cento. Esse avanço mostra que o país deixou de ser apenas um grande consumidor interno para se firmar entre as principais potências musicais do planeta.

O reinado do streaming

Por trás desse crescimento está, sem surpresa, o streaming. No Brasil, os serviços de transmissão respondem por cerca de 86 por cento da receita da música. O padrão se repete em toda a América Latina, região que cresceu 17,1 por cento em 2025 e onde o streaming representa mais de 88 por cento da receita gravada. As assinaturas pagas tornaram-se o verdadeiro motor do setor.

O funk atravessa fronteiras

Um dado me chamou especialmente a atenção. O funk brasileiro já obtém cerca de metade da sua receita no exterior, o que revela um consumo internacional expressivo dos nossos gêneros. Isso confirma uma tendência mais ampla: ritmos regionais, antes vistos como locais, ganham ouvintes em todo o mundo. A música brasileira está, literalmente, sendo exportada em larga escala.

O contexto global

Vale situar tudo isso no quadro mundial. As receitas globais da música gravada cresceram 6,4 por cento e alcançaram 31,7 bilhões de dólares em 2025, com o streaming pago avançando 8,8 por cento e representando mais de metade das receitas. Nesse cenário, o desempenho brasileiro se destaca ainda mais, já que cresce bem acima da média e ajuda a puxar a própria América Latina para cima.

Meu olhar equilibrado

Apesar de todo o entusiasmo, procuro manter os pés no chão. Um mercado tão dependente do streaming também fica exposto às decisões de poucas grandes plataformas, e o crescimento acelerado nem sempre chega de forma justa a todos os artistas. Ainda assim, considero a direção saudável: o Brasil mostra vitalidade criativa e alcance global. O verdadeiro teste será transformar esses números em ganhos duradouros para quem faz a música.

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